segunda-feira, 18 de abril de 2011

Décimo sétimo dia - 21.03.2011

Varsóvia - Polônia


1º. Movimento
Resistência polonesa

Alegro
Os poloneses se orgulham de sua história de resistência. É com entusiasmo ímpar que as pessoas mostram os monumentos e locais e falam das pessoas que marcam a resistência contra a opressão.

108-Witold Pileki
(foto da internet, sem auroria)

Pileki foi torturado e morto, em 1948, pelas autoridades comunistas.

Cantante
Witold Pileki, foi um polonês que escolheu ser preso e levado para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, com a intenção de informar os aliados das atrocidades cometidas neste campo, e também para ajudar os prisioneiros em seus processos de resistência.
Em 1943, ele consegue evadir-se de Auschwitz e toma parte do levante de Varsóvia.

      Após recolher testemunhos das atrocidades soviéticas, perseguição de polacos, internamentos em               gulags e execuções

109-Árvore veterana
em frene ao prédio onde residia Witold Pileki
      Caminhante
Estou em frente ao prédio onde ele foi preso, em Varsóvia, durante a ocupação nazista.
Aqui resiste a árvore veterana.

Agora eu penso no tempo de minha vida em que eu achava que os soviéticos eram os mocinhos da história.  



2º. Movimento
Cemitério judaico
110-Monumento às crianças vítimas do holocausto.
Cemiério judaico de Varsóvbia

Alegro
Aqui reproduzo (em ingles) o poema de uma criança judia:

The little smoggler

Through a hole,
Through a crack or a cranny
Starving yet
Stubborn and canny
Sneaky and speedt like a cat

And if pate turn against me
If that game of life and bread
Do not weep for me mother,
do not cry,
Are we not all market to die ?

Only one worry besets me
Lyung in agony, so nearly dead
Who will care for you tomorrow
Who‘ll bring you, dear mom,
A slice of bread.

Por Henryka Lazowert
(Gheto de Varsóvia, 1941).


111-Áarvore veterana. Cemitério judaico

Caminhante
No cemitério judaico em Varsóvia foi erguido um monumento às crianças mortas durante o holocausto..

Em Varsóvia, em 1939, havia 1.300.00 habitantes. Em 1945 restavam apenas 422.000 pessoas na cidade.

Caminhante
Andando por este cemitério eu sinto o quanto é sombria a nossa história.
112-Ludwig Lazarus Zamenhof

Aqui eu encontro a catacumba de Ludwig Lazarus Zamenhof, (1859-1917), polonês, inventor do esperanto, que foi a primeira língua configurada para comunicação sem fronteiras.

O monumento às crianças vítimas do holocausto é uma das coisas mais tristes do mundo.


 
3º. Movimento
Portal da morte


113-Portal da morte
Alegro
Monumentos erguidos são como batidas do coração.

Cantante
Aqui em Varsóvia, o lugar da cidade de onde partiam os judeus para os campos de concentração e extermínio alemães, é marcado com um grande muro, onde estão inscritos nomes de muitas pessoas que dali partiram para não mais voltar.

114-Texto  no portal da morte

Caminhante
Sinto um sentimento de alívio vendo os nomes das pessoas escritos neste muro. Elas, de alguma forma, continuam nos dizendo: “Eu estou aqui”. Se isso não nos basta, pelo menos alivia.

115-Tomadas parciais de nomes no portal da morte

Aqui, a árvore veterana está  por trás do muro.
É incrível, para mim, ver árvores em relevo, esculpidas na entrada do monumento.


116-Árvore veterana. Portal da morte


4º. Movimento
Museu do levante de Varsóvia

Alegro
Um grande número de crianças, trazidas pelas escolas, visitam, todos os dias, este museu.

Cantante
O museu conta a história  da resistência polonesa.
O símbolo do levante de Varsóvia é uma âncora.

Aqui encontramos textos, fotografias, objetos da época.
Muitos participantes do levante contam suas histórias durante a resistência polonesa.



117-Síimbolo do levante de Varsóvia
 


118-Nomes na parede do Musau do Levante de Varsóvia
 
Caminhante
O que mais me impressiona, dentro deste museu, é uma parede enorme que transmite o som das batidas de um coração.
Fico emocionada ao encontrar a fotografia de Wladyslaw Szpilman, o pianista que inspirou a história do filme “O pianista”.

Sons dos bombardeios alemães em Varsóvia são muito presentes no museu. Em alguns momentos parece que estou em um campo de guerra.
O museu é muito escuro. Reproduz alguns esgotos da cidade (sem a água) onde as pessoas podem entrar para sentir, um pouco, como foi estar lá embaixo.
Uma experiência muito interessante é ver um filme em 3D que nos transforma em uma mosca sobrevoando a cidade destruída.


 
5º. Movimento
Rua judaica


119-Paredes da rua judaica
 
Cantante
A rua judaica foi um dos poucos pedaços de cidade que ficaram em pé em Varsóvia, após o bombardeio do exército alemão.
Agora não se sabe o que vai acontecer com essa rua porque a área está, hoje, com um alto índice de especulação imobiliária.

Caminhante
Ao olhar os prédios eu consigo ver que nas janelas foram colocadas fotografias de pessoas, representando as que realmente moravam nesses lugares.

      É lindo ver isso!





120-Estamos todos aqui. Rua judaica
12

domingo, 17 de abril de 2011


Décimo sexto dia - 19.03.2011

Cracóvia - Polônia


1º. Movimento
Fábrica de Oskar Schindler
103-A fábrica de Oskar Schindler. Cracóvia

Alegro
Em Cracóvia, a fábrica de Oskar Schindler, é um dos pontos mais visitados da cidade.

Cantante
Oskar Schindler nasceu em 1908, na Tchecoslováquia. Seu melhor amigo de infância era um menino judeu, que residia na casa ao lado da sua.
Sempre foi um boêmio, namorava muitas mulheres e gastava muito dinheiro.  Mesmo depois de seu casamento, em 1928, continuou com a mesma vida. Tinha inúmeras amantes.
Ambicioso, entra para o partido nazista com a finalidade de ganhar dinheiro.




104-Oskar Schindler
 (Foto:jewishvirtuallibrary.org)

Um dia, ao observar as atrocidades cometidas com os judeus em campos de concentração ele se transforma em um salvador de pessoas.
Com o lema, “aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro”, ele inicia sua missão de salvar tantos seres humanos quantos lhe fosse possível.

Sua fábrica de utensílios domésticos, em Cracóvia dominada pelos nazistas, empregou mais de 1.200 judeus, salvando-os de serem mortos.
         Ele os tratava com respeito e carinho. Conhecia a maioria pelo nome

105-Câmera fotográfica do acervo da Fábrica

Ele tinha amplo trânsito entre as autoridades nazistas, participava de festas, coquetéis etc, e negociava os nomes das pessoas que ele queria na sua fábrica, tendo que pagar por cada uma delas.
Diariamente, ele também pagava ao partido, uma taxa por cada trabalhador empregado em sua fábrica.
Apesar de não pagar salários aos seus operários, ele os manteve salvos até o final da guerra.

106-Carteira de trabalho do acervo da fábrica


107-Reprodução de fotografias encontradas em vitrine na parede exterior
da fábrica de Oskar Schinder

Seus ex-empregados declaram:
“Haverá outras gerações por causa do que ele fez”; “Ele me deu a vida. Salvou minhas irmãs e me salvou.’
E, sob o questionamento de Schindler sobre a possibilidade de ter salvo mais pessoas se tivesse gasto menos dinheiro com outras coisas um de seus operários lembra o lema “Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro”.

Após o final da guerra, considerado traidor pelos alemães, ele recebe apoio de comunidades judaicas.
Em 1961, foi a Israel pela primeira vez, oitocentas pessoas o receberam no aeroporto. E, desde então, até o final de sua vida, quando morreu, em 1974, comemorou, em Israel, todos os anos, o seu aniversário.
Está enterrado em Israel, segundo seu próprio desejo.

Caminhante
Caminho, nesta antiga fábrica, pensativa e curiosa sobre como um nazista declarado, durante a guerra, mudou de opinião. Na minha cabeça ainda é controversa essa idéia, mas os fatos são inegáveis, e por isso comunidades judaicas têm muito respeito por Oskar Schindler, tratando-o como herói da defesa dos judeus durante a II guerra.
Ele deve ter resgatado, com sacrifício, os resquícios de humanidade que tinha para tomar uma atitude de libertação perante os oprimidos. Fico imaginando que anjo poderoso o ajudou nessa tarefa.

Em uma sala do museu, que trata de Cracóvia sob o domínio nazista, estão penduradas duas bandeiras nazistas, enormes. Eu passo mal olhando-as. Sufocada, procuro, sem encontrar, a saída da sala. Nunca tinha me imaginado frente a frente com esse símbolo, vivendo esta situação. A realidade de ver em livros, revistas ou filmes uma bandeira nazista é muito diferente de estar a 30 cm de duas delas, cada uma com o dobro do meu tamanho..

Termino este dia com a pergunta do filme “A lista de Schindler”, de Steven Spielberg :
“E nós, será que podemos fazer um pouco mais?”
 

sábado, 16 de abril de 2011


Décimo quinto dia - 18.03.2011

Auschwitz

94-Vistas de Auschwitz


Alegro
Atualmente é muito fácil chegar até Auschwitz. Existem ônibus que saem de Cracóvia a cada meia hora.
Os hotéis e pousadas também oferecem transporte com visita guiada. (Ver quadro de número de visitantes por ano em minha postagem do décimo quarto dia).
Ontem eu vim aqui com um grupo. Hoje vim sozinha, de ônibus.


95-Crematório e Cerca

Cantante
É impossível determinar o número de pessoas que chegaram, de trem, a Auschwitz e foram levadas, diretamente, para as câmaras de gás. Passageiros de inúmeros trens, lotados com crianças, idosos e debilitados, seguiram imediatamente para as câmaras de gás ao chegarem a este campo de extermínio.



96-Aviso

97-Detalhes da cerca eletrificada

98-Fuzíveis

99-Fotografias de preisioneiros. Memorial de Auschwitz

Também estiveram em Auschwitz, além de judeus de muitos países e outras “minorias”:
7.500 judeus italianos.
60.000 judeus holandeses.

As péssimas condições de higiene, o trabalho forçado por muitas horas seguidas e o terror constante eram também causas para o enfraquecimento físico e psicológico dos prisioneiros.

Entre 1942 e 1944 os nazistas construíram 50 sub-campos, formando o network do terror e da morte.

Os portões de Auschwitz foram abertos pelo exército russo no dia
27 de janeiro de 1945.

Com o aperto do cerco dos aliados, os nazistas haviam evacuaram para outros campos uma grande quantidade de prisioneiros, deixando para trás os fracos, doentes e feridos.

Foram encontrados no campo, atém de 600 corpos de prisioneiros:
9000 prisioneiros
850 mil vestidos
350 mil ternos
8 toneladas de cabelos.
100-Maletas em Auschwitz

101-Sapatos em Auschwitz

Caminhante
Acredito que para se falar de paz, o oposto, em linha direta, da guerra, é preciso que se conheça Auschwitz;
Aqui é a essência da crueldade do século XX. A vergonha das vergonhas do ser humano... esse estranho animal.
A compreensão disto aqui extrapola o racional, os parâmetros possíveis para uma espécie dita humana.
Os campos nazistas de concentração e extermínio fizeram parte de uma organização pensada, palmo a palmo, para tornar possíveis todos os detalhes mais sutis da maldade do ser humano na face da terra.
Nenhuma língua será capaz de expressar, realmente, o que foi Auschwitz para os que aqui viveram pelo menos um dia de suas vidas.
Nada que eu possa escrever será minimamente suficiente.


2º. Movimento
Histórias pessoais
102-Simplesmente janelas?

Alegro
Existem histórias sobre fuga, amor e cooperação em Auschwitz.

Cantante
Historia 1
“Ex-prisioneiro conta como fugiu de Auschwitz
Há exatos 66 anos, um jovem polonês católico fez algo que até hoje parece ser impossível de ter sido realizado: escapou do campo de concentração nazista de Auschiwitz, são e salvo, com a sua namorada. No dia 21 de julho de 1944, Jerzy Bielecki passou pelo guarda alemão ao lado de sua namorada, Cyla Cybulska. Após mirar o passe falso e observar os dois por um período que pareceu uma eternidade, a sentinela deixou-os passar apenas falando ‘Ja, danke’ (Sim, obrigado).
Bielecki e Cybulska se conheceram no próprio campo de concentração. Ele, um católico polonês fluente em alemão de 23 anos, tinha uma posição privilegiada entre os prisioneiros. Ela, uma jovem judia de 22 anos, estava condenada à morte. O primeiro encontro de ambos aconteceu em setembro de 1943, em um depósito de grãos, onde os dois recentemente tinham sido transferidos para trabalhar. Cybulska entrou no depósito acompanhada de um grupo de mulheres. ‘Pareceu-me que uma delas, uma bonita de cabelo preto, tinha piscado para mim’, recorda Bielecki. Eles ficaram amigos e logo a amizade se transformou em romance.
Em suas memórias de Auschwitz, escritas em 1983, Cybulska diz que nos encontros eles contavam um ao outro suas histórias de vida e que ‘todo encontro era um evento realmente importantes para nós dois’. ‘Era um grande amor’, disse Bielecki, 89 anos, em entrevista à agência AP realizada em sua casa, localizada a apenas 85 km de Auschwitz. ‘Nós fazíamos planos de nos casarmos e de vivermos juntos para sempre ‘. Ela tinha sido presa em 1940, então com 19 anos, ao lado de seus pais e irmãos. Em setembro de 1943, Cybulska era a única viva. O irremediável destino fatal fez eles apressarem os planos de fuga.
De um colega preso polonês, Bielecki conseguiu secretamente um uniforme da SS (tropa de elite nazista) completo e um passe. Usando uma borracha e uma caneta, ele mudou o último nome do passe de Rottenfuehrer Helmut Stehler para Steiner, para o caso da sentinela conhecer o verdadeiro Stehler, e o registrou para dizer que estava levando uma prisioneira para interrogação em uma estação policial próxima. ‘Amanhã, um homem da SS vai vir para levar você para um interrogatório. Esse homem será eu’, disse Bielecki à sua namorada. Na tarde seguinte, vestido com o uniforme roubado, ele foi até a lavanderia para a qual Cybulska tinha sido transferida para trabalhar. Suando de medo, ele exigiu ao supervisor alemão que liberasse a mulher. Eles então rumaram ao portão principal, onde entregaram o passe e deixaram Auschwitz. ‘Eu senti dor na minha espinha, onde eu esperava ser atingido’, conta Bielecki. Contudo, após alguns metros, eles olharam para trás e viram a sentinela em sua cabine.
Os dois marcharam por nove dias, cruzando florestas e rios. Em um ponto, extremamente cansada, Cybulska chegou a pedir para ser deixada. ‘Jurek não quis ouvir e continuou repetindo: 'nós fugimos juntos e vamos caminhar juntos', diz uma memória dela registrada em um livro escrito por Bielecki. Após a nona noite, eles chegaram à casa de um tio dele, em um vilarejo próximo a Cracóvia. Para evitar ser presa novamente por soldados nazistas, Cybulska foi escondida em uma fazenda, enquanto ele decidiu se esconder em Cracóvia. Após o exército soviético tomar a Polônia, em janeiro de 1945, Bielecki retornou para encontrar a namorada, mas ela já tinha partido - a vila em que estava havia sido libertada três semanas antes.
Cybulska se casou e mudou-se para os Estados Unidos. Bielecki também constitui família na Polônia. O casal só voltaria a se encontrar após ela contar sua história para sua faxineira polonesa, que recordava ter ouvido a mesma história na televisão. ‘Eu conheço a história, eu vi um polonês na TV dizendo que conduziu sua namorada judia de Auschwitz’, a faxineira disse a Cybulska, segundo Bielecki. Em uma manhã de maio de 1983 ele recebeu uma ligação. ‘Eu ouvi algumas risadas - ou choro - no telefone e então uma voz disse 'Juracku, sou eu, sua pequena Cyla', conta Bielecki.
Algumas semanas depois, o casal de reencontrou no aeroporto de Cracóvia. Ele levou 39 rosas, uma para cada ano que permaneceram distantes. Ela o visitou na Polônia várias vezes, inclusive foram junto ao memorial de Auschwitz. ‘O amor começou a voltar’, diz o ex-prisioneiro. ‘Cyla me dizia: deixe a sua mulher, venha comigo para os Estados Unidos. Ela chorou muito quando eu disse: olha, eu tenho uma criança muito boa, eu tenho um filho, como poderia fazer isso?’, acrescenta. Ela então prometeu que não retornaria mais. Cybulska não voltou a entrar em contato e não retornou as cartas até 2002, quando morreu em Nova York.
Em 1985, o Instituto Yad Vashem de Jerusalém condecorou Bielecki por ter salvo Cybulska. ‘Eu estava muito apaixonado por Cyla, muito. Algumas vezes eu chorava após a guerra, por ela não estar comigo. Eu sonhava com ela de noite e acordava chorando. O destino decidiu por nós, mas eu faria tudo de novo’.”
 
Acesso em 13.04.2011


História 2
Escoteiro, Kazimierz Piechowski, conta como fugiu de Auschwitz

“No dia 20 de junho de 1942, o guarda da SS, que fazia a vigia da saída do campo, estava assustado. Na sua frente se encontrava o carro de Rudolf Höss, seu comandante. No interior, havia quatro homens da SS e um deles (um subtenente) lhe gritava: abra logo esse portão ou vou abrir você! Aterrorizado, o guarda levantou a barreira, permitindo que o carro saísse e se afastasse a toda velocidade.
Mas se o guarda tivesse olhado um pouco mais de perto, teria notado que os homens no interior daquele veículo estavam suando e seus rostos estavam escurecidos pelo medo. Longe de serem nazistas, aqueles homens eram prisioneiros poloneses com uniformes roubados, que acabavam de protagonizar umas das fugas mais audazes da história de Auschwitz. O subtenente mandão, que gostava de gritar, era, em realidade, o escoteiro Kazimierz Piechowski e o lema ‘Sempre Alerta’ se converteu em seu salva-vidas.
Kazimierz Piechowski tem hoje 91 anos e conhecemos suas história através da Associação Escoteira Britânica, que lhe homenageou recentemente.
Quase 70 anos depois, o preso 918 é o protagonista de um ato celebrado na Baden-Powell House, em Londres. Impecavelmente vestido, com as costas retas como as de um adolescente, recebe o lenço comemorativo e escuta uma canção que fala sobre sua fuga do campo de concentração. Depois das canções e felicitações, Kazik, como gosta de ser chamado, começa a contar histórias que poucas pessoas haviam escutado. Como, por exemplo, o fato de que durante a ocupação nazista, os escoteiros eram assassinados nas ruas ou enviados aos campos de concentração.
Quando começou a ocupação alemã na Polônia em 1939, o movimento escoteiro foi considerado pelos invasores com um símbolo de nacionalismo polonês e um forte candidato a formar parte da resistência.
‘Quatro dias depois de declararem a guerra, os alemães chegaram a minha cidade e começaram a atirar contra os escoteiros. Eu sabia que cedo ou tarde me matariam, então decidi fugi’.
Kazik tentou escapar através da fronteira húngara, mas foi capturado e, depois de passar por várias prisões, foi mandado para Auschwitz. Lá ele foi obrigado a trabalhar durante 12 a 15 horas diárias para ampliar o campo de concentração, que não era grande o suficiente para receber os milhares de prisioneiros que chegavam. Também teve que trabalhar recolhendo cadáveres de seus companheiros executados.
‘As vezes eram 20 por dia. As vezes eram 100. As vezes eram mais. Homens mulheres e crianças’. Seu olhar transparece raiva e ele repete: ‘…e crianças’.
Kazik, depois de um elaborado plano, conseguiu fugir do campo de concentração junto a seus companheiros. Ele escreveu dois livros contando suas experiências e trabalha para que ninguém esqueça o que aconteceu em Auschwitz.
O senhor não se importa em reviver seu passado?
Fonte:
Acesso em 14.04.2011

Caminhante
É árdua e penosa a minha tarefa de buscar informações e postá-las neste blog.
As minhas experiências nos dois dias em que fui a Auschwitz, misturadas com as informações desse cenário de horror, me enfraquecem. Preciso de tomar um fôlego.


quinta-feira, 14 de abril de 2011

Décimo quarto dia - 17.03.2011

Auschwitz-Birkenau


84-Entrada do campo de extermínio de Auschwitz

1º. Movimento
Um pouco da história

85-Visão geral de uma rua
Alegro
O Memorial de Auschuwitz-Birkenau foi criado em julho de 1947.
Desde sua abertura ao público vem crescendo o número de visitantes oriundos dos mais diversos países.

86-Visitantes  por ano em Auschwitz. Fonte: http://en.auschwitz.org.pl/m

Cantante
A idéia nazista era eliminar os judeus, ciganos, homossexuais, rebeldes etc.
Os campos de extermínio foram criados para a “solução final” que seria a total extinção de todas as populações supra citadas.
Entre outras, coisas um campo de concentração podia ser composto de campos de trabalho escravo, dormitórios, latrinas, hospitais e enfermarias, câmara de gás e forno crematório.

Em Auschwitz os trabalhos de experimentos eram dirigidos pelo médico Joseph Menguele (Procurado desde o final da guerra. Morreu alguns anos atrás, no Brasil)

Ao chegarem aos campos, em geral, muitas crianças eram enviadas imediatamente para as câmaras de gás. Os homens e as mulheres ficavam separados.
Prisioneiros dos campos de concentração eram assassinados com injeção de gás letal, enforcados, fuzilados ou enviados para as câmaras de gás. Inúmeras pessoas também morriam de frio, fome, tifo e outras doenças infecto-contagiosas.
 
87-Mãe e filho. Escultura da aartista Hanna Raynzch-Brzozowska

Em Auschwitz foram enviados para as câmaras de gás lotações inteiras de trens, mesmo antes de qualquer registro de chegada ao campo.

As pessoas ao chegarem ao campo eram marcadas a ferro com um número.
Todos que sobreviveram a Auschwitz têm, até hoje, seu número como prisioneiro tatuado no braço.
Uma marca de cor era usada, na roupa, para distinguir o tipo de cada prisioneiro:
Amarelo - Judeus, com a estrela e a palavra Jude.
Vermelho - Dissidentes políticos, inclusive comunistas.
Verde - Criminosos comuns.
Púrpura (roxo) - Testemunhas de Jeová.
Azul - Imigrantes.
Castanho - Ciganos.
Negro - Lésbicas e anti-sociais (alcoólatras e idolentes).
Rosa - Homossexuais.

88-Parede de um dos blocos de Auschwitz

Caminhante
Deixo alguns sobreviventes dos campos de concentração nazistas falarem por mim:

 

Otto Frank

“Nós não podemos mais mudar o que aconteceu. A única coisa que podemos fazer é  aprender  com o passado e

compreender o que significa discriminação e perseguição de pessoas inocentes.

Acredito que é responsabilidade de todos  lutar contra  preconceitos”

(Em texto no Museu Casa de Anne Frank)

 

Ben Abraham

 “Eu passei cinco anos e meio nos campos de concentração nazistas.

Presenciei as maiores atrocidades já praticadas por homem contra homem.” Em entrevista no Recife, durante homenagem

às vítimas do Holocausto

(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ZoAcz3s8818

Acesso em 13.04.2011)

 

Henry Katina

“Pessoas idosas e inabilitadas eram levadas diretamente para as câmaras de gás.

Fomos levados a uma degradação mais baixa a que um homem pode chegar”.

(Em  reportagem de Fernanda Avelar, Belo Horizonte.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vwrue8dNDPo&feature=related

Acesso em 13.04.2011)

 

Albert Veissid

 “Quando o cerco dos aliados apertou, os prisioneiros, durante a retirada dos nazistas, morriam às centenas. Eu vi os

cadáveres.”

(Músico que tocava na orquestra de Auschwitz. Em reportagem de Sônia Bridt.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Mb0Xq7cIlA4&NR=1

Acesso em 13.04.2011)

 

Aleksander  Henryk  Laks

“Chegando em Auschwitz, os homens de um lado as mulheres do outro...

minha mãe...  foi a última vez que ví minha mãe.

Porque? Eu gostaria de saber a resposta”.

(Em repostagem do programa Fantástico, da Rede Globo.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=nNiTKvkcEJA&NR=1

Acesso: em 13.04.2011.)

 

Eva Schloss

“Por muitos anos eu venho ensinando em escolas para as pessoas saberem quais são as conseqüências da

discriminação e do ódio”.

(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=adHJNBgbS8k

Acesso em 13.04.2011)

 

Lucille Eichengreen

“Depóis de alguns dias em Birkenau nós descobrimos que eles estavam matando as pessoas. Matando a gás e depois queimando-as. Nós podíamos sentir o  cheiro e ver a fumaça.”
Acesso: 13.04.2011)


2º. Movimento
Birkenau
89-A via férrea chegando a Birkenau


90-A última estação - Brkenau
Alegro 
O campo foi destruído pelos alemães durante sua retirada. O que vemos hoje é uma  reconstrução.

Cantante
Os trens que chegavam ao complexo tinham o seu ponto final em Birkenau.
Os alojamentos nesse campo construído com madeira, eram especialmente frios. Uma vala enorme, para fazer fogo era usada para ajudar a aquecer os dias mais frios de inverno.
Em cada beliche dormiam até seis pessoas.

91-Latrinas coletivas- Birkenau
Caminhante
Aqui tudo é extremamente frio.
Frio como o mais frio dos frios.
92-Beliches- Birkenau

3º. Movimento
A árvore veterana

93-Árvore veterana - Auschwitz

Caminhante

Eu a vejo.
Ali.
Sabedora
impassível
em seu movimento imóvel.
Cicatrizes expostas.
Agora nos observa.
Nós, os visitantes
do horror.