quinta-feira, 14 de abril de 2011

Décimo quarto dia - 17.03.2011

Auschwitz-Birkenau


84-Entrada do campo de extermínio de Auschwitz

1º. Movimento
Um pouco da história

85-Visão geral de uma rua
Alegro
O Memorial de Auschuwitz-Birkenau foi criado em julho de 1947.
Desde sua abertura ao público vem crescendo o número de visitantes oriundos dos mais diversos países.

86-Visitantes  por ano em Auschwitz. Fonte: http://en.auschwitz.org.pl/m

Cantante
A idéia nazista era eliminar os judeus, ciganos, homossexuais, rebeldes etc.
Os campos de extermínio foram criados para a “solução final” que seria a total extinção de todas as populações supra citadas.
Entre outras, coisas um campo de concentração podia ser composto de campos de trabalho escravo, dormitórios, latrinas, hospitais e enfermarias, câmara de gás e forno crematório.

Em Auschwitz os trabalhos de experimentos eram dirigidos pelo médico Joseph Menguele (Procurado desde o final da guerra. Morreu alguns anos atrás, no Brasil)

Ao chegarem aos campos, em geral, muitas crianças eram enviadas imediatamente para as câmaras de gás. Os homens e as mulheres ficavam separados.
Prisioneiros dos campos de concentração eram assassinados com injeção de gás letal, enforcados, fuzilados ou enviados para as câmaras de gás. Inúmeras pessoas também morriam de frio, fome, tifo e outras doenças infecto-contagiosas.
 
87-Mãe e filho. Escultura da aartista Hanna Raynzch-Brzozowska

Em Auschwitz foram enviados para as câmaras de gás lotações inteiras de trens, mesmo antes de qualquer registro de chegada ao campo.

As pessoas ao chegarem ao campo eram marcadas a ferro com um número.
Todos que sobreviveram a Auschwitz têm, até hoje, seu número como prisioneiro tatuado no braço.
Uma marca de cor era usada, na roupa, para distinguir o tipo de cada prisioneiro:
Amarelo - Judeus, com a estrela e a palavra Jude.
Vermelho - Dissidentes políticos, inclusive comunistas.
Verde - Criminosos comuns.
Púrpura (roxo) - Testemunhas de Jeová.
Azul - Imigrantes.
Castanho - Ciganos.
Negro - Lésbicas e anti-sociais (alcoólatras e idolentes).
Rosa - Homossexuais.

88-Parede de um dos blocos de Auschwitz

Caminhante
Deixo alguns sobreviventes dos campos de concentração nazistas falarem por mim:

 

Otto Frank

“Nós não podemos mais mudar o que aconteceu. A única coisa que podemos fazer é  aprender  com o passado e

compreender o que significa discriminação e perseguição de pessoas inocentes.

Acredito que é responsabilidade de todos  lutar contra  preconceitos”

(Em texto no Museu Casa de Anne Frank)

 

Ben Abraham

 “Eu passei cinco anos e meio nos campos de concentração nazistas.

Presenciei as maiores atrocidades já praticadas por homem contra homem.” Em entrevista no Recife, durante homenagem

às vítimas do Holocausto

(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ZoAcz3s8818

Acesso em 13.04.2011)

 

Henry Katina

“Pessoas idosas e inabilitadas eram levadas diretamente para as câmaras de gás.

Fomos levados a uma degradação mais baixa a que um homem pode chegar”.

(Em  reportagem de Fernanda Avelar, Belo Horizonte.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=vwrue8dNDPo&feature=related

Acesso em 13.04.2011)

 

Albert Veissid

 “Quando o cerco dos aliados apertou, os prisioneiros, durante a retirada dos nazistas, morriam às centenas. Eu vi os

cadáveres.”

(Músico que tocava na orquestra de Auschwitz. Em reportagem de Sônia Bridt.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=Mb0Xq7cIlA4&NR=1

Acesso em 13.04.2011)

 

Aleksander  Henryk  Laks

“Chegando em Auschwitz, os homens de um lado as mulheres do outro...

minha mãe...  foi a última vez que ví minha mãe.

Porque? Eu gostaria de saber a resposta”.

(Em repostagem do programa Fantástico, da Rede Globo.

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=nNiTKvkcEJA&NR=1

Acesso: em 13.04.2011.)

 

Eva Schloss

“Por muitos anos eu venho ensinando em escolas para as pessoas saberem quais são as conseqüências da

discriminação e do ódio”.

(Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=adHJNBgbS8k

Acesso em 13.04.2011)

 

Lucille Eichengreen

“Depóis de alguns dias em Birkenau nós descobrimos que eles estavam matando as pessoas. Matando a gás e depois queimando-as. Nós podíamos sentir o  cheiro e ver a fumaça.”
Acesso: 13.04.2011)


2º. Movimento
Birkenau
89-A via férrea chegando a Birkenau


90-A última estação - Brkenau
Alegro 
O campo foi destruído pelos alemães durante sua retirada. O que vemos hoje é uma  reconstrução.

Cantante
Os trens que chegavam ao complexo tinham o seu ponto final em Birkenau.
Os alojamentos nesse campo construído com madeira, eram especialmente frios. Uma vala enorme, para fazer fogo era usada para ajudar a aquecer os dias mais frios de inverno.
Em cada beliche dormiam até seis pessoas.

91-Latrinas coletivas- Birkenau
Caminhante
Aqui tudo é extremamente frio.
Frio como o mais frio dos frios.
92-Beliches- Birkenau

3º. Movimento
A árvore veterana

93-Árvore veterana - Auschwitz

Caminhante

Eu a vejo.
Ali.
Sabedora
impassível
em seu movimento imóvel.
Cicatrizes expostas.
Agora nos observa.
Nós, os visitantes
do horror.










segunda-feira, 11 de abril de 2011

Décimo terceiro dia -14.03.2011
Varsóvia-Polônia

1º. Movimento
Café da manhã

Alegro
O povo de Varsóvia é muito amigável. A irmã Elizabeth, é enfermeira, formada em Londres e fala inglês muito bem. Ela me trata com carinho. Minha visita parece uma festa para ela.

Cantante
O convento “Daughters of Charity, St. Vincent de Paul”, construído em 1652, bem como grande parte da cidade de Varsóvia, foi reconstruído após o final da II guerra.
A igreja católica sempre foi muito forte na Polônia e se manteves intacta durante todo o período comunista que o país viveu, no pós-guerra.
 
Caminhante
Amanheci o dia hoje em um convento de freiras. Eu nunca havia me imaginado hospedada em um convento.
Meu quarto é bem legal. Quentinho e silencioso. O café da manhã é gostoso e oferecido com muito carinho.


75-Canaletto e a cidade de Varsóvia

2º. Movimento
A cidade

Alegro
O italiano Canaletto pintou, no séc. XVIII, a cidade de Varsóvia com os mínimos detalhes. Ruas, avenidas, prédios, tudo com uma perfeição fotográfica. Após o final da II Guerra Mundial a cidade foi praticamente toda reconstruída, seguindo os detalhes que ele havia pintado.
Em algumas ruas podemos ver uma reprodução de sua pintura e a cidade de hoje.

Cantante
O exército hitlerista destruiu a cidade como se fosse uma carreta passando por cima de um formigueiro. Praticamente 90% da cidade foi arrasada.
Segundo Konstanty Gebert:
“Minha mãe retornou para Varsóvia em fevereiro de 1945, após a libertação da cidade.
Ela não conseguiu encontrar o lugar onde estava a casa em que ela vivia antes da guerra. Foi impossível até mesmo encontrar onde a rua estivera”.*

Em alguns locais, durante a reconstrução, a quantidade de entulho era tão grande para ser removida, que foi deixada ali mesmo e os prédios construídos por cima.

Caminhante
A cidade é linda apesar de estar cinza. As árvores estão peladas, nos edifícios, que são em tonalidades de cinza, e as roupas pretas do povo, nessa época sem sol, deixa tudo com o ar muito sombrio.
A cidade tem um ar singelo de metrópole.
Caminhamos muito, eu e Malgotzata Siudak uma polaca muito gentil, que está me ajudando no meu projeto por aqui.


3º. Movimento
Monumento aos Heróis do Levante de Varsóvia


76-Mãos que agem
Alegro
O Monumento foi construído bem ao lado do prédio moderno onde funciona a Suprema Corte do país.
É bem interessante essa junção das coisas da justiça com da história de revolta popular.
O prédio tem linhas retas verticais, enquanto o monumento apresenta movimentos curvilíneos  e isso os coloca em contraste direto.
O monumento  foi erguido em homenagem ao povo que morreu no Levante de Varsóvia em 1944.
É uma obra de arte de Wincentiy Kucma e Jacek Budyn. 

Cantante
O Levante de Varsóvia foi uma revolta do povo da cidade. Deste movimento participaram militares e grande parte da população civil da cidade. Homens, mulheres e crianças pegaram em armas tentando libertar a cidade. Foram utilizadas, além de armas de fogo, armas brancas coquetéis molotov e qualquer coisa que servisse como arma.
O Levante teve início as cinco horas da tarde do dia 1º. de agosto de 1944 e durou 63 dias, até a rendição dos revoltosos em 02 de outubro do mesmo ano.

Somente no Levante de Varsóvia pereceram mais de 16.000 polacos.

A população polonesa desejava libertar o país do domínio nazista. O exército soviético aguardou na outra margem do rio Vistula. Pode-se conclui que o exército vermelho esperou, até o final, o fracasso das forças libertárias polonesas, para somente depois entrar na cidade. Sendo assim, poderiam dominar o país sem questionamentos.

O governo soviético enviou para a Sibéria e fuzilou inúmeros libertários poloneses, mesmo alguns que tinham conseguido sobreviver aos campos de concentração e de extermínio nazistas.  

Em 1989, a Polônia tornou-se o primeiro país europeu a se libertar do regime comunista da União Soviética.

77-Eu vejo suas faces

Caminhante
No monumento aos heróis do Levante de Varsóvia o que mais me toca é a qualidade plástica, o realismo, a expressão nas faces, nos corpos, nas mãos das pessoas representadas.
Algumas delas seguram uma arma e suas expressões são tão fortes que vão lá fundo na minha alma. Estão ali, todos vivos.


4º. Movimento
Monumento aos Mártires do Povo Judeu

Alegro
O monumento que agora visito é uma obra do artista Natan Rapopo.
Em frente ao monumento está sendo construído o Museu Judaico.
O prédio e o monumento ficam em área que fez parte do Gheto de Varsóvia.

78-Escultura do monumento aos mártires judeus

Cantante
Durante milênios a Polônia foi o lar da maior população judaica do mundo.
Os judeus foram perseguidos pelo domínio nazi-fascista por mais de 13 anos antes que a II Guerra fosse deflagrada.

Como forma de isolar e degradar os judeus, os nazistas cercaram partes da cidades, formando os ghetos.
O gheto de Varsóvia foi o maior de todos. Foi estabelecido em 1940, com a construção de um moro que cercou a comunidade judaica da cidade, isolando-a do restante da população. No gheto, por causa das péssimas condições de vida e de higiene, predominavam a fome e as doenças infecto contagiosas. Dáli eram retiradas milhares de pessoas que eram enviadas para os campos de concentração e de extermínio alemães da Polônia.
Aproximadamente 380 mil pessoas viveram no gheto de Varsóvia (cerca de 30% da população, e ocupava somente cerca de 2,4% do território da cidade).

Com o domínio soviético sobre o país, e sua intolerância a cultos religiosos uma grande quantidade de judeus migrou para outras partes do mundo, inclusive para a América do Sul.

Caminhante
O monumento é muito forte.
Fico feliz em ver o grande museu que está sendo aqui construído.
Ao lado do monumento encontro uma árvore veterana, que continua lá, bem na área do gheto, firme e forte, como o povo judeu.

79-Árvore veterana - Gheto de Varsóvia
5º. Movimento
Pawiak

Alegro
O gentil senhor que cuida dessa antiga prisão, sendo muito gentil, nos mostra o interior do prédio e o pequeno museu e nos fala da história da prisão. Ele abriu uma exceção, quando descobriu que eu sou
brasileira, filha de veterano da FEB, e nos deixou entrar, apesar de ser o dia em que o museu estava fechado.
Muito gentil e interessado em contar toda a história, e nos mostrar tudo.
80-Prisão Pawiak

Cantante
A Pawiak foi a prisão usada pelos nazistas em Varsóvia. Lá foram aprisionados estudantes, intelectuais e tantos outros que se opunham ao regime nazista.
O local preserva várias relíquias da crueldade, como objetos de tortura, as celas onde se amontoavam os presos, o calendário de horários de comer, de ir ao banheiro de dormir etc.
Está também preservada a cela mínima onde ficavam os presos “escolhidos” para serem fuzilados. Esta agora mantém alguns jarros de flores.

A Pawiak de hoje é o porão da antiga prisão que foi destruída pelos nazistas antes de se retirarem da cidade.

Caminhante
A prisão é toda muito escura, de pé direito muito baixo e corredores estreitos.
É muito sufocante estar aqui.
Nas paredes, fotografias de pessoas que por ali passaram antes de serem fuziladas.
O museu é um tributo à resistência contra o nazismo.
Cada passo que dou aqui dentro é quase uma homenagem aos que lutaram durante a guerra.

81-A última cela antes de...

6º. Movimento
Observação da árvore veterana.

Alegro
A árvore veterana, neste caso, é feita de bronze, substituindo a verdadeira árvore em frente da prisão Pawiak.

Cantante
Na arvore foram sendo colocadas placas com os nomes das pessoas mortas na prisão. Dia a dia, crescia o número de placas com nomes. E a árvore foi transformada em um monumento aos mortos.

82-Árvore veterana. Prisão Pawiak

Caminhante
Eu primeiro penso que é uma árvore de veerdade... a verdadeira arvore, e por isso a chamo de veterana. Somente depois consigo perceber que não é uma arvore, e sim uma escultura que está aqui.
É bonita essa forma de cultuar a memória das pessoas.

É interessante, pra mim, que estou trabalhando o conceito das árvores veteranas, encontrar essa arvore.
7º. Movimento
Muro do Gheto

Alegro
O muro do gheto fica bem no pátio central de um prédio imenso, que hoje está sendo usado como moradia de pessoas idosas.
Está localizado à rua Sienna, 55.

83-Muro do gheto de Vaarsóvia

Caminhante
Agora, quando se olha, parece simplesmente um pedaço de uma parede, plantada ali no meio de residências... mas é tão grande e tão triste essa história... não compreendo como pessoas conseguem viver aqui, olhando esse muro todos os dias de suas vidas!

*Fonte:
Acesso: 10.04.2011).



sábado, 9 de abril de 2011

Décimo segundo dia - 05.03.2011

Monte Prano


1º. Movimento
Preparação para subir o monte;

Alegro                                                                                                                                                
A amável Analice me emprestou um par de botas apropriadas para andar na neve, caso contrário,qualqueprojeto de subir a montanha nesta época do ano seria inviável.
Eu e Mário Pereira fomos ao supermercado comprar sementes (segundo ele, comida de passarinho), chocolate, queijo e algumas coisas para a maratona.

Cantante
Os picos montanhosos dos países do hemisfério norte estão, neste início de primavera, ainda com bastante neve. Sempre que a temperatura fica um pouquinho mais elevada a neve derrete, mas se esfria, e as condições são favoráveis para nevar, lá vem a neve de novo!

Caminhante
Nossa subida ao Monte Prano foi adiada. Antes ela seria na segunda-feira passada... mas  tivemos uma grande nevasca.
Sendo assim, hoje iniciamos nossa missão.

66-Parte de nosso grupo
2º. Movimento
A subida

Alegro
Cinco pessoas subiram o monte. Eu, Mario Pereira, Julia (jornalista) e seu marido e Francesco (arqueólogo),
O ponto de encontro, antes de iniciarmos nossa caminhada, foi em Pesgaglia, onde tomamos um pequeno café da manhã.

Cantante
O Monte Prano tem 1.221 metros de altitude.
Por toda parte existem buracos, nas pedras, que foram cavados pelos alemães, para servir de esconderijo, ponto de defesa e de ataque.
As tropas brasileiras tomaram o mote no dia 26 de setembro de 1944.

67-Eu, na primeira parada para descanso

68-O monte ao fundo


69-O Monte Prano
 Caminhante
Durante três horas, de 9:15 às 12.15, subimos morros, fazendo semicírculos, numa trilha que nos leva ao topo do monte Prano. A subida é íngreme e tem vários trechos com neve. Nessa subida pisamos em, pelo menos, 25cm de neve acumulado no chão e eu praticamente atolo os pés.
Cada vez que subimos mais um pouco mais me falta o ar...  e as paradas para tomar fôlego são mais  frequentes.
Sou a mais “idosa” do grupo e todos me tratam com muito carinho

3º. Movimento
No topo do Monte

Alegro
As bandeiras do Brasil e a da FEB estão conosco.
Três de nós cinco estamos aqui pela primeira vez.

Cantante
Atualmente existe, no alto do morro, uma enorme cruz, uma placa e um sistema de iluminação a energia solar. A placa foi inaugurada no dia 01 de maio de 2007, para comemorar a tomada do monte pelos soldados da FEB.
O grupo de conservação do monte criou um livro de assinaturas para as pessoas que chegam até o pico do monte. O livro é bem guarnecido, contra o sol e a chuva, dentro de uma caixa de metal.

Caminhante
Nem acredito que estou aqui! É minha primeira experiência de “alpinista”.
Estou sem fôlego por causa da subida e pelo êxtase de estar neste ponto tão alto e tão significativo para a vitória brasileira na Itália.
Por alguns momentos fico com os olhos cheios de água, pensando na realidade absurda dos jovens brasileiros que lutaram neste monte tão ermo, tão íngreme e frio... tão longe de casa... das suas famílias, de suas plantações...
A paisagem é belíssima. Para mim, somente suplantada pela dor da história.
Aqui em cima tomamos fôlego, tomamos vinho, comemos e descansamos por um longo tempo.
É a primeira vez em minha vida que eu literalmente me enrolo com a bandeira do brasil. Aqui, neste momento, dá um imenso orgulho de ser brasileira (mesmo para mim que sempre me considero cidadã do mundo).

4º. Movimento
Assinatura

Caminhante
Escrevo no livro de assinaturas:
Sou Eliane Velozo, filha do veterano Gastão Veloso de Melo e de Enedina Alves de Melo. Sou a primeira mulher brasileira filha de veterano da FEB a subir aqui. Eu estou muito emocionada por poder estar aqui  hoje, e agradeço aos deuses e a Mário Pereira por terem me trazido aqui



71-Eu. com os pés no chão, com o vinho FEB, e assinando o livro
 
72-A cruz e a placa  no topo do monte

73-Aqui estamos. Eu e Mario Pereira

5º. Movimento
A descida

70-Paisagens
Alegro
É muito engraçado ver Mario e Francesco, com equipamentos de caçar metais, em punho, seguindo morro abaixo, fazendo os sons de seus equipamentos soarem a cada pequeno metal, seja arame ou peça de alguma bomba ou resto de material de artilharia que é encontrado.

Cantante
Existem ainda, por esses morros italianos, muitos pedaços de metal que foram espalhados por bombas e granadas.
Durante nosso percurso ficamos, em geral, nas trilhas já existentes.


74-O mundo, visto de cima

Caminhante
A descida é pior do que a subida... a neve já se tornou gelo na maioria dos pontos da trilha onde antes havia neve. Agora o percurso está escorregadio e difícil.
Eu levo dois “meios tombos”, mas lembro sempre que tenho “pernas de homem”, como alguém costuma me dizer. Finalmente o companheiro Mário resolve ficar sempre à minha frente, segurando minha mão.
Meus pés escorregam o tempo todo dentro da bota e tenho dois calos, um em cada pé... eles não me doem mais por causa de minha determinação de cumprir a tarefa.
Agora já em baixo, fico muito feliz de ter sido possível fazer dessa jornada uma das partes fundamentais do meu projeto.
É uma parte de minha missão.

Transbordam em mim
sentimentos indizíveis...
onde somente as experiências
valem.

Nenhuma palavra,
em língua antiga
ou que possa ser criada
definirá.

Sentimentos
enigmáticos
afloram
tornam a ação visível
por ordem, desordenadamente
história,
memória,
lembranças esquecidas
de nossos heróis desajeitados
indeléveis
provindos
de sociedades civis

levadas à luta
pela paz.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Décimo primeiro dia - 04.03.2011
Bolonha


Background
Aqui abro um parêntese para a situação da estrada até Bolonha, no dia 02.03.2011, quando tentamos ir a Bolonha.




60-Primeira tentativa de ir até Bolonha (a)

61-Primeira tentativa de ir até Bolonha (b)
1º.movimento
Partigiani

Alegro
‘Partigiani’ foram os civis que formaram um grupo de resistência e lutaram contra o nazi-fascismo na Itália.
Cerca de 300.000 pessoas, das quais aproximadamente 35.000 eram mulheres, de tendências políticas diferentes e às vezes antagônicas participaram da resistência italiana, que teve início com a escensão do fascismo.
Durante a guerra, os ‘partigiani’ formaram um grupo de guerrilha e tiveram participação fundamental para a derrota alemã pois conheciam geograficamente o país e também as fortificações alemãs.
Eles capturaram e executaram Benito Mussoline em 28 de abril de 1945.

Cantante
Aqui reproduzo parcialmente a  conversa que eu e Mário Pereira tivemos com o
partigiani Francesco Berti Arnoaldi Veli, que vem de uma família nobre de Bolonha.
Os textos estão aspados, mas são a  minha tradução, revisada por Mario Pereira, do que ele falou em italiano.

Sobre a suas origens:
“Eu vinha de uma família burguesa”.
“Minha casa era repleta de livros“.
“Naquela época eu tinha 18 anos, e para um jovem italiano
dessa idade era muito importante ter distintivo de Mussuline ou de Hitler”.

Sobre a sua vida:
“Sou de uma família bastante respeitada”;
“Poucos podem dizer que tiveram a vida que tive. Sempre fui independente”

Sobre a memória:
“A memória é sempre seletiva”.
“Minha memória é a memória da memória do que vivo e do que me foi contato”

Sobre a liberdade:
“O regime facista assassinou, em plena praça pública o meu professor de filosofia. Assassinou também um jornalista que eu admirava muito, que falava que a liberdade é filha da justiça e a justiça é filha da liberdade.
Diante desses dois fatos eu mudei minha mentalidade, fui para a resistência lutar pela liberdade”.
“A liberdade não pode morrer”.

Sobre a resistência:
“Nós éramos uma brigada de justiça e liberdade”.
“A partir de julho de 1944 nós nos organizamos”.
“A grande maioria dos partigiani era camponeses, sem leitura, opositores do regine nazi-fascista”.
“Havia quem pensasse que os partigiani eram todos comunistas”.

Sobre as armas:
“Nós sabíamos como manusear as armas”;
“Fomos uma brigada de guerrilha”.




62-Francesco Berti Arnoaldi Veli, durante entrevista

Sobre os brasileiros:
“Os brasileiros não tinham prática de guerra”.
“Os brasileiros eram sempre alegres. Tinham uma felicidade muito grande em se comunicar. Dividiam sua ração com a  população”;
“Na minha casa da
Guanela, em Gajo a Montana, havia uma grande biblioteca. E um pracinha escreveu uma mansagem no livro ‘Teatro- de Victor Hugo’, que foi encontrada e transcrita muitos anos depois“.

Sobre a guerra:
“Sinto não ter tido, na época, uma câmera fotográfica em minhas mãos para fotografar o tamanho da destuição em Monte Castelo”.

Sobre o significado da paz:
“O fio da história da humanidade é a guerra”.
“Tem um filósofo alemão que fala que paz é o intervalo entre duas guerras. Eu não concordo com isso“.
“Paz é algo que vem de dentro”.
            “A paz é o que o homem tem como escopo de sua vida”.


Caminhante
Este é um dos momentos mais importantes de meu projeto aqui na Itália, levando em conta a importância que os partigiani tiveram na vitória das forças aliadas.
Este é, com certeza, um ser humano lindo. E punto e basta.

63-Francesco Berti Arnoaldi Veli e Eliane Velozo

64-Francesco Berti Arnoaldi Veli e Mario Pereira

2º. Movimento
O Teatro de Victor Hugo

Alegro
A Casa da Guanela tem um significado muito especial para alguns participantes da resistência e da guerra em geral, de lá saiu o livro com o texto que aqui reproduzo.

Cantante
Texto encontrado no livro “O Teatro de Victor Hugo”
”Fevereiro, esteve aqui acantonado neste casarão o soldado Rodolfo Vieira de Santana junto com diverços amigos, mas afirmo que aqui não è bom pois todo o santo dia estão caindo bombas o que é muito. Eu só queria que você fosse um dia para ver as praias do meu Ceara tinha certeza que você gostaria de ver os mares bravios das praias de lá entre os coqueiros e salgueiras bem verdes balançando ao vento bem pertinho do céu onde nasceu a virgem do poema à linda Iracema dos lábios de mel. Oh quanta saudade de lá. Oh quanta saudade de lá...a jangadinha vai se deslizando o pescador sem peixe vai pescando no  verde mar que não tem fim.....no Ceara é assim (continua preta) Brasil oh meu Brasil terra da liberdade
Brasil o meu Brasil nunca usou de fidelidade. Nos estamos na guerra em defesa da nossa terra, se a pátria me chama eu vou, eu vou serei um grande defensor.
Mas quando eu perdi a paciência lá em casa a minha mulher não gostou minha criada que”
(Ali quebra-se a crônica do soldado brasileiro, que evidentemente deve ter tido problemas, talvez um bombardeio há mais.
O nosso sobreviveu e, conforme os datos abaixo, voltou para o Brasil.
Rodolfo Vieira Santana
Matr 03.1443
Identidade 1G-306468
Embarcou em 23/11/1944
11° Reggimento Infanteria
Morto 17/12/1990
65-Eu com o livro contendo escritos, à mão, de Rodolfo Vieira Santana

Caminhante
É um momento muito especial encontrar, aqui na Itália, os escritos de um pracinha. É muito importante o fato de ele ter escrito no livro.
Aqui estou eu, com o livro e o texto em minhas mãos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Décimo Dia - 01.03.2011



Staffoli e Linha Gótica

1º movimento
A Staffoli


Alegro
O senhor Giuliano Capppelle, historiador e pessoa totalmente dedicada à
causa da FEB, faz parte do grupo que preserva a área do acampamento onde ficou o depósito de pessoal em Staffoli. Ele pesquisa a história da participação brasileira na libertação da Itália e fala dessa historia e do seu trabalho com muito carinho e  orgulho.



52 - Acampamento de Staffoli em 1945 e em 2011

1º movimento
A Staffoli


Alegro
O senhor Giuliano Capppelle, historiador e pessoa totalmente dedicada à
causa da FEB, faz parte do grupo que preserva a área do acampamento onde ficou o depósito de pessoal em Staffoli. Ele pesquisa a história da participação brasileira na libertação da Itália e fala dessa historia e do seu trabalho com muito carinho e  orgulho.



53 - Meu pai e um colega, 1945 e eu assinando livro de visitas, 2011 - Staffoli


Caminhante
Eu chego aqui, piso no chão, e confirmo.. esse é o mesmo chão! Esse é o lugar onde
meu pai dormia, comia e partia daqui para locomover suprimentos e armas.
Nossa...
De alguma forma eu me sinto um pouco em casa. Ando ao redor, olho, fotografo, sinto os cheiros, olho as árvores, o céu.
Estar aqui foi necessário para meu pai, e agora é para mim!



54 - Eu piso firme no chão do acampamento da FEB

Fotografo a grande árvore que estava aqui no período da guerra, um carvalho, hoje enorme, e lembro de meu pai me mostrando, em Fazenda Nova, ao lado da casa em que ele nasceu, a árvore que o pai dele plantou em 1942.
Essas duas árvores começam a fazer, para mim, um paralelo bastante interessante. Elas duas veteranas que estão lá, cada uma no seu lugar.

Hoje, depôs de 66 anos do primeiro dia de meu pai aqui em Staffoli, eu vejo esse lugar pela primeira vez em minha vida.


55 - "Átvores veteranas" : 1-Fazenda Nova; 2- Staffoli


2º. Movimento
Bunker tedesco (parte da Linha Gótica)


56 - Mapa da Linha Gótica - Itália
  

Alegro
O sr. Píer Giorgio Pierone, presidente do Comitê de Recuperação da Linha Gótica no Vale do rio Sercchio, em Borgo a Mozzano, trabalha na manutenção dessa parte da história.

Cantante
Até hoje aqui na Itália os alemães são chamados de “tedescos“ e mesmo as pessoas que tinham cinco ou seis anos de idade na época da guerra falam deles com certo ressentimento.

A Linha Gótica, como ficou conhecida durante a II Guerra, é uma fortificação alemã na Itália. A linha com muralhas e túneis foi traçada estrategicamente seguindo parte das montanhas da Cordilheira Apenina.




57 - Bunker alemão
  
O bunker que visitei tem entradas ao lado da via férrea. Isso mantinha os alemães no domínio do transporte ferroviário desta area.
Da primeira porta até uma segunda porta à prova de armas químicas o túneo forma um “Z”, para dificultar a entrada e saída de ruídos.
O bunker é bem construído. Sua concretagem está intacta até hoje.


Caminhante
Sempre tive vontade de entender o que é a Linha Gótica.
Chegando aqui eu começo a compreender a construção, a longo prazo, do projeto de dominação e resistência alemã na Itália.

O bunker foi perfurado na montanha de pedra sólida. Onde não é montanha, foi construída uma muralha à prova de tanque de guerra... a formação da muralha não permite passagem de nenhum veículo militar.

Andando aqui dentro eu sinto uma energia muito opressiva porque a história é muito forte.




58 - Paredes da fortificação alemã na LInha Gótica
 

3º. Movimento
Uma volta por alguns lugares.

Alegro
Mario Pereira me levou para um “giro” em alguns lugares importantes.

Cantante
Os soldados brasileiros, após o final da guerra e durante o período de reconstrução da Itália, viajaram por algumas cidades italianas.
Meu pai, por exemplo, ficou aqui até setembro de 1945, e conheceu algumas localidades.

Caminhante
Passamos por Lucca.



59 - Meu pai e outros pracinhas, 1845 e eu, 2011 na Catedral de  Pizza

Agora em Pizza, é difícil sentir o lugar porque tem uma quantidade enorme de turistas por todos os lados. Mas é possível ver o funcionamento da tradicional igreja católica... o batistério, construído porque sem o batismo a pessoa não podia entrar na igreja, e a torre que é o campanário, cada um em um dos lados da catedral de Pizza.
Meu pai tem o maior orgulho de ter vindo a Pizza. Ele foi fotografado na parte superior da torre. Atualmente não se pode subir la.