segunda-feira, 11 de abril de 2011

Décimo terceiro dia -14.03.2011
Varsóvia-Polônia

1º. Movimento
Café da manhã

Alegro
O povo de Varsóvia é muito amigável. A irmã Elizabeth, é enfermeira, formada em Londres e fala inglês muito bem. Ela me trata com carinho. Minha visita parece uma festa para ela.

Cantante
O convento “Daughters of Charity, St. Vincent de Paul”, construído em 1652, bem como grande parte da cidade de Varsóvia, foi reconstruído após o final da II guerra.
A igreja católica sempre foi muito forte na Polônia e se manteves intacta durante todo o período comunista que o país viveu, no pós-guerra.
 
Caminhante
Amanheci o dia hoje em um convento de freiras. Eu nunca havia me imaginado hospedada em um convento.
Meu quarto é bem legal. Quentinho e silencioso. O café da manhã é gostoso e oferecido com muito carinho.


75-Canaletto e a cidade de Varsóvia

2º. Movimento
A cidade

Alegro
O italiano Canaletto pintou, no séc. XVIII, a cidade de Varsóvia com os mínimos detalhes. Ruas, avenidas, prédios, tudo com uma perfeição fotográfica. Após o final da II Guerra Mundial a cidade foi praticamente toda reconstruída, seguindo os detalhes que ele havia pintado.
Em algumas ruas podemos ver uma reprodução de sua pintura e a cidade de hoje.

Cantante
O exército hitlerista destruiu a cidade como se fosse uma carreta passando por cima de um formigueiro. Praticamente 90% da cidade foi arrasada.
Segundo Konstanty Gebert:
“Minha mãe retornou para Varsóvia em fevereiro de 1945, após a libertação da cidade.
Ela não conseguiu encontrar o lugar onde estava a casa em que ela vivia antes da guerra. Foi impossível até mesmo encontrar onde a rua estivera”.*

Em alguns locais, durante a reconstrução, a quantidade de entulho era tão grande para ser removida, que foi deixada ali mesmo e os prédios construídos por cima.

Caminhante
A cidade é linda apesar de estar cinza. As árvores estão peladas, nos edifícios, que são em tonalidades de cinza, e as roupas pretas do povo, nessa época sem sol, deixa tudo com o ar muito sombrio.
A cidade tem um ar singelo de metrópole.
Caminhamos muito, eu e Malgotzata Siudak uma polaca muito gentil, que está me ajudando no meu projeto por aqui.


3º. Movimento
Monumento aos Heróis do Levante de Varsóvia


76-Mãos que agem
Alegro
O Monumento foi construído bem ao lado do prédio moderno onde funciona a Suprema Corte do país.
É bem interessante essa junção das coisas da justiça com da história de revolta popular.
O prédio tem linhas retas verticais, enquanto o monumento apresenta movimentos curvilíneos  e isso os coloca em contraste direto.
O monumento  foi erguido em homenagem ao povo que morreu no Levante de Varsóvia em 1944.
É uma obra de arte de Wincentiy Kucma e Jacek Budyn. 

Cantante
O Levante de Varsóvia foi uma revolta do povo da cidade. Deste movimento participaram militares e grande parte da população civil da cidade. Homens, mulheres e crianças pegaram em armas tentando libertar a cidade. Foram utilizadas, além de armas de fogo, armas brancas coquetéis molotov e qualquer coisa que servisse como arma.
O Levante teve início as cinco horas da tarde do dia 1º. de agosto de 1944 e durou 63 dias, até a rendição dos revoltosos em 02 de outubro do mesmo ano.

Somente no Levante de Varsóvia pereceram mais de 16.000 polacos.

A população polonesa desejava libertar o país do domínio nazista. O exército soviético aguardou na outra margem do rio Vistula. Pode-se conclui que o exército vermelho esperou, até o final, o fracasso das forças libertárias polonesas, para somente depois entrar na cidade. Sendo assim, poderiam dominar o país sem questionamentos.

O governo soviético enviou para a Sibéria e fuzilou inúmeros libertários poloneses, mesmo alguns que tinham conseguido sobreviver aos campos de concentração e de extermínio nazistas.  

Em 1989, a Polônia tornou-se o primeiro país europeu a se libertar do regime comunista da União Soviética.

77-Eu vejo suas faces

Caminhante
No monumento aos heróis do Levante de Varsóvia o que mais me toca é a qualidade plástica, o realismo, a expressão nas faces, nos corpos, nas mãos das pessoas representadas.
Algumas delas seguram uma arma e suas expressões são tão fortes que vão lá fundo na minha alma. Estão ali, todos vivos.


4º. Movimento
Monumento aos Mártires do Povo Judeu

Alegro
O monumento que agora visito é uma obra do artista Natan Rapopo.
Em frente ao monumento está sendo construído o Museu Judaico.
O prédio e o monumento ficam em área que fez parte do Gheto de Varsóvia.

78-Escultura do monumento aos mártires judeus

Cantante
Durante milênios a Polônia foi o lar da maior população judaica do mundo.
Os judeus foram perseguidos pelo domínio nazi-fascista por mais de 13 anos antes que a II Guerra fosse deflagrada.

Como forma de isolar e degradar os judeus, os nazistas cercaram partes da cidades, formando os ghetos.
O gheto de Varsóvia foi o maior de todos. Foi estabelecido em 1940, com a construção de um moro que cercou a comunidade judaica da cidade, isolando-a do restante da população. No gheto, por causa das péssimas condições de vida e de higiene, predominavam a fome e as doenças infecto contagiosas. Dáli eram retiradas milhares de pessoas que eram enviadas para os campos de concentração e de extermínio alemães da Polônia.
Aproximadamente 380 mil pessoas viveram no gheto de Varsóvia (cerca de 30% da população, e ocupava somente cerca de 2,4% do território da cidade).

Com o domínio soviético sobre o país, e sua intolerância a cultos religiosos uma grande quantidade de judeus migrou para outras partes do mundo, inclusive para a América do Sul.

Caminhante
O monumento é muito forte.
Fico feliz em ver o grande museu que está sendo aqui construído.
Ao lado do monumento encontro uma árvore veterana, que continua lá, bem na área do gheto, firme e forte, como o povo judeu.

79-Árvore veterana - Gheto de Varsóvia
5º. Movimento
Pawiak

Alegro
O gentil senhor que cuida dessa antiga prisão, sendo muito gentil, nos mostra o interior do prédio e o pequeno museu e nos fala da história da prisão. Ele abriu uma exceção, quando descobriu que eu sou
brasileira, filha de veterano da FEB, e nos deixou entrar, apesar de ser o dia em que o museu estava fechado.
Muito gentil e interessado em contar toda a história, e nos mostrar tudo.
80-Prisão Pawiak

Cantante
A Pawiak foi a prisão usada pelos nazistas em Varsóvia. Lá foram aprisionados estudantes, intelectuais e tantos outros que se opunham ao regime nazista.
O local preserva várias relíquias da crueldade, como objetos de tortura, as celas onde se amontoavam os presos, o calendário de horários de comer, de ir ao banheiro de dormir etc.
Está também preservada a cela mínima onde ficavam os presos “escolhidos” para serem fuzilados. Esta agora mantém alguns jarros de flores.

A Pawiak de hoje é o porão da antiga prisão que foi destruída pelos nazistas antes de se retirarem da cidade.

Caminhante
A prisão é toda muito escura, de pé direito muito baixo e corredores estreitos.
É muito sufocante estar aqui.
Nas paredes, fotografias de pessoas que por ali passaram antes de serem fuziladas.
O museu é um tributo à resistência contra o nazismo.
Cada passo que dou aqui dentro é quase uma homenagem aos que lutaram durante a guerra.

81-A última cela antes de...

6º. Movimento
Observação da árvore veterana.

Alegro
A árvore veterana, neste caso, é feita de bronze, substituindo a verdadeira árvore em frente da prisão Pawiak.

Cantante
Na arvore foram sendo colocadas placas com os nomes das pessoas mortas na prisão. Dia a dia, crescia o número de placas com nomes. E a árvore foi transformada em um monumento aos mortos.

82-Árvore veterana. Prisão Pawiak

Caminhante
Eu primeiro penso que é uma árvore de veerdade... a verdadeira arvore, e por isso a chamo de veterana. Somente depois consigo perceber que não é uma arvore, e sim uma escultura que está aqui.
É bonita essa forma de cultuar a memória das pessoas.

É interessante, pra mim, que estou trabalhando o conceito das árvores veteranas, encontrar essa arvore.
7º. Movimento
Muro do Gheto

Alegro
O muro do gheto fica bem no pátio central de um prédio imenso, que hoje está sendo usado como moradia de pessoas idosas.
Está localizado à rua Sienna, 55.

83-Muro do gheto de Vaarsóvia

Caminhante
Agora, quando se olha, parece simplesmente um pedaço de uma parede, plantada ali no meio de residências... mas é tão grande e tão triste essa história... não compreendo como pessoas conseguem viver aqui, olhando esse muro todos os dias de suas vidas!

*Fonte:
Acesso: 10.04.2011).



sábado, 9 de abril de 2011

Décimo segundo dia - 05.03.2011

Monte Prano


1º. Movimento
Preparação para subir o monte;

Alegro                                                                                                                                                
A amável Analice me emprestou um par de botas apropriadas para andar na neve, caso contrário,qualqueprojeto de subir a montanha nesta época do ano seria inviável.
Eu e Mário Pereira fomos ao supermercado comprar sementes (segundo ele, comida de passarinho), chocolate, queijo e algumas coisas para a maratona.

Cantante
Os picos montanhosos dos países do hemisfério norte estão, neste início de primavera, ainda com bastante neve. Sempre que a temperatura fica um pouquinho mais elevada a neve derrete, mas se esfria, e as condições são favoráveis para nevar, lá vem a neve de novo!

Caminhante
Nossa subida ao Monte Prano foi adiada. Antes ela seria na segunda-feira passada... mas  tivemos uma grande nevasca.
Sendo assim, hoje iniciamos nossa missão.

66-Parte de nosso grupo
2º. Movimento
A subida

Alegro
Cinco pessoas subiram o monte. Eu, Mario Pereira, Julia (jornalista) e seu marido e Francesco (arqueólogo),
O ponto de encontro, antes de iniciarmos nossa caminhada, foi em Pesgaglia, onde tomamos um pequeno café da manhã.

Cantante
O Monte Prano tem 1.221 metros de altitude.
Por toda parte existem buracos, nas pedras, que foram cavados pelos alemães, para servir de esconderijo, ponto de defesa e de ataque.
As tropas brasileiras tomaram o mote no dia 26 de setembro de 1944.

67-Eu, na primeira parada para descanso

68-O monte ao fundo


69-O Monte Prano
 Caminhante
Durante três horas, de 9:15 às 12.15, subimos morros, fazendo semicírculos, numa trilha que nos leva ao topo do monte Prano. A subida é íngreme e tem vários trechos com neve. Nessa subida pisamos em, pelo menos, 25cm de neve acumulado no chão e eu praticamente atolo os pés.
Cada vez que subimos mais um pouco mais me falta o ar...  e as paradas para tomar fôlego são mais  frequentes.
Sou a mais “idosa” do grupo e todos me tratam com muito carinho

3º. Movimento
No topo do Monte

Alegro
As bandeiras do Brasil e a da FEB estão conosco.
Três de nós cinco estamos aqui pela primeira vez.

Cantante
Atualmente existe, no alto do morro, uma enorme cruz, uma placa e um sistema de iluminação a energia solar. A placa foi inaugurada no dia 01 de maio de 2007, para comemorar a tomada do monte pelos soldados da FEB.
O grupo de conservação do monte criou um livro de assinaturas para as pessoas que chegam até o pico do monte. O livro é bem guarnecido, contra o sol e a chuva, dentro de uma caixa de metal.

Caminhante
Nem acredito que estou aqui! É minha primeira experiência de “alpinista”.
Estou sem fôlego por causa da subida e pelo êxtase de estar neste ponto tão alto e tão significativo para a vitória brasileira na Itália.
Por alguns momentos fico com os olhos cheios de água, pensando na realidade absurda dos jovens brasileiros que lutaram neste monte tão ermo, tão íngreme e frio... tão longe de casa... das suas famílias, de suas plantações...
A paisagem é belíssima. Para mim, somente suplantada pela dor da história.
Aqui em cima tomamos fôlego, tomamos vinho, comemos e descansamos por um longo tempo.
É a primeira vez em minha vida que eu literalmente me enrolo com a bandeira do brasil. Aqui, neste momento, dá um imenso orgulho de ser brasileira (mesmo para mim que sempre me considero cidadã do mundo).

4º. Movimento
Assinatura

Caminhante
Escrevo no livro de assinaturas:
Sou Eliane Velozo, filha do veterano Gastão Veloso de Melo e de Enedina Alves de Melo. Sou a primeira mulher brasileira filha de veterano da FEB a subir aqui. Eu estou muito emocionada por poder estar aqui  hoje, e agradeço aos deuses e a Mário Pereira por terem me trazido aqui



71-Eu. com os pés no chão, com o vinho FEB, e assinando o livro
 
72-A cruz e a placa  no topo do monte

73-Aqui estamos. Eu e Mario Pereira

5º. Movimento
A descida

70-Paisagens
Alegro
É muito engraçado ver Mario e Francesco, com equipamentos de caçar metais, em punho, seguindo morro abaixo, fazendo os sons de seus equipamentos soarem a cada pequeno metal, seja arame ou peça de alguma bomba ou resto de material de artilharia que é encontrado.

Cantante
Existem ainda, por esses morros italianos, muitos pedaços de metal que foram espalhados por bombas e granadas.
Durante nosso percurso ficamos, em geral, nas trilhas já existentes.


74-O mundo, visto de cima

Caminhante
A descida é pior do que a subida... a neve já se tornou gelo na maioria dos pontos da trilha onde antes havia neve. Agora o percurso está escorregadio e difícil.
Eu levo dois “meios tombos”, mas lembro sempre que tenho “pernas de homem”, como alguém costuma me dizer. Finalmente o companheiro Mário resolve ficar sempre à minha frente, segurando minha mão.
Meus pés escorregam o tempo todo dentro da bota e tenho dois calos, um em cada pé... eles não me doem mais por causa de minha determinação de cumprir a tarefa.
Agora já em baixo, fico muito feliz de ter sido possível fazer dessa jornada uma das partes fundamentais do meu projeto.
É uma parte de minha missão.

Transbordam em mim
sentimentos indizíveis...
onde somente as experiências
valem.

Nenhuma palavra,
em língua antiga
ou que possa ser criada
definirá.

Sentimentos
enigmáticos
afloram
tornam a ação visível
por ordem, desordenadamente
história,
memória,
lembranças esquecidas
de nossos heróis desajeitados
indeléveis
provindos
de sociedades civis

levadas à luta
pela paz.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Décimo primeiro dia - 04.03.2011
Bolonha


Background
Aqui abro um parêntese para a situação da estrada até Bolonha, no dia 02.03.2011, quando tentamos ir a Bolonha.




60-Primeira tentativa de ir até Bolonha (a)

61-Primeira tentativa de ir até Bolonha (b)
1º.movimento
Partigiani

Alegro
‘Partigiani’ foram os civis que formaram um grupo de resistência e lutaram contra o nazi-fascismo na Itália.
Cerca de 300.000 pessoas, das quais aproximadamente 35.000 eram mulheres, de tendências políticas diferentes e às vezes antagônicas participaram da resistência italiana, que teve início com a escensão do fascismo.
Durante a guerra, os ‘partigiani’ formaram um grupo de guerrilha e tiveram participação fundamental para a derrota alemã pois conheciam geograficamente o país e também as fortificações alemãs.
Eles capturaram e executaram Benito Mussoline em 28 de abril de 1945.

Cantante
Aqui reproduzo parcialmente a  conversa que eu e Mário Pereira tivemos com o
partigiani Francesco Berti Arnoaldi Veli, que vem de uma família nobre de Bolonha.
Os textos estão aspados, mas são a  minha tradução, revisada por Mario Pereira, do que ele falou em italiano.

Sobre a suas origens:
“Eu vinha de uma família burguesa”.
“Minha casa era repleta de livros“.
“Naquela época eu tinha 18 anos, e para um jovem italiano
dessa idade era muito importante ter distintivo de Mussuline ou de Hitler”.

Sobre a sua vida:
“Sou de uma família bastante respeitada”;
“Poucos podem dizer que tiveram a vida que tive. Sempre fui independente”

Sobre a memória:
“A memória é sempre seletiva”.
“Minha memória é a memória da memória do que vivo e do que me foi contato”

Sobre a liberdade:
“O regime facista assassinou, em plena praça pública o meu professor de filosofia. Assassinou também um jornalista que eu admirava muito, que falava que a liberdade é filha da justiça e a justiça é filha da liberdade.
Diante desses dois fatos eu mudei minha mentalidade, fui para a resistência lutar pela liberdade”.
“A liberdade não pode morrer”.

Sobre a resistência:
“Nós éramos uma brigada de justiça e liberdade”.
“A partir de julho de 1944 nós nos organizamos”.
“A grande maioria dos partigiani era camponeses, sem leitura, opositores do regine nazi-fascista”.
“Havia quem pensasse que os partigiani eram todos comunistas”.

Sobre as armas:
“Nós sabíamos como manusear as armas”;
“Fomos uma brigada de guerrilha”.




62-Francesco Berti Arnoaldi Veli, durante entrevista

Sobre os brasileiros:
“Os brasileiros não tinham prática de guerra”.
“Os brasileiros eram sempre alegres. Tinham uma felicidade muito grande em se comunicar. Dividiam sua ração com a  população”;
“Na minha casa da
Guanela, em Gajo a Montana, havia uma grande biblioteca. E um pracinha escreveu uma mansagem no livro ‘Teatro- de Victor Hugo’, que foi encontrada e transcrita muitos anos depois“.

Sobre a guerra:
“Sinto não ter tido, na época, uma câmera fotográfica em minhas mãos para fotografar o tamanho da destuição em Monte Castelo”.

Sobre o significado da paz:
“O fio da história da humanidade é a guerra”.
“Tem um filósofo alemão que fala que paz é o intervalo entre duas guerras. Eu não concordo com isso“.
“Paz é algo que vem de dentro”.
            “A paz é o que o homem tem como escopo de sua vida”.


Caminhante
Este é um dos momentos mais importantes de meu projeto aqui na Itália, levando em conta a importância que os partigiani tiveram na vitória das forças aliadas.
Este é, com certeza, um ser humano lindo. E punto e basta.

63-Francesco Berti Arnoaldi Veli e Eliane Velozo

64-Francesco Berti Arnoaldi Veli e Mario Pereira

2º. Movimento
O Teatro de Victor Hugo

Alegro
A Casa da Guanela tem um significado muito especial para alguns participantes da resistência e da guerra em geral, de lá saiu o livro com o texto que aqui reproduzo.

Cantante
Texto encontrado no livro “O Teatro de Victor Hugo”
”Fevereiro, esteve aqui acantonado neste casarão o soldado Rodolfo Vieira de Santana junto com diverços amigos, mas afirmo que aqui não è bom pois todo o santo dia estão caindo bombas o que é muito. Eu só queria que você fosse um dia para ver as praias do meu Ceara tinha certeza que você gostaria de ver os mares bravios das praias de lá entre os coqueiros e salgueiras bem verdes balançando ao vento bem pertinho do céu onde nasceu a virgem do poema à linda Iracema dos lábios de mel. Oh quanta saudade de lá. Oh quanta saudade de lá...a jangadinha vai se deslizando o pescador sem peixe vai pescando no  verde mar que não tem fim.....no Ceara é assim (continua preta) Brasil oh meu Brasil terra da liberdade
Brasil o meu Brasil nunca usou de fidelidade. Nos estamos na guerra em defesa da nossa terra, se a pátria me chama eu vou, eu vou serei um grande defensor.
Mas quando eu perdi a paciência lá em casa a minha mulher não gostou minha criada que”
(Ali quebra-se a crônica do soldado brasileiro, que evidentemente deve ter tido problemas, talvez um bombardeio há mais.
O nosso sobreviveu e, conforme os datos abaixo, voltou para o Brasil.
Rodolfo Vieira Santana
Matr 03.1443
Identidade 1G-306468
Embarcou em 23/11/1944
11° Reggimento Infanteria
Morto 17/12/1990
65-Eu com o livro contendo escritos, à mão, de Rodolfo Vieira Santana

Caminhante
É um momento muito especial encontrar, aqui na Itália, os escritos de um pracinha. É muito importante o fato de ele ter escrito no livro.
Aqui estou eu, com o livro e o texto em minhas mãos.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Décimo Dia - 01.03.2011



Staffoli e Linha Gótica

1º movimento
A Staffoli


Alegro
O senhor Giuliano Capppelle, historiador e pessoa totalmente dedicada à
causa da FEB, faz parte do grupo que preserva a área do acampamento onde ficou o depósito de pessoal em Staffoli. Ele pesquisa a história da participação brasileira na libertação da Itália e fala dessa historia e do seu trabalho com muito carinho e  orgulho.



52 - Acampamento de Staffoli em 1945 e em 2011

1º movimento
A Staffoli


Alegro
O senhor Giuliano Capppelle, historiador e pessoa totalmente dedicada à
causa da FEB, faz parte do grupo que preserva a área do acampamento onde ficou o depósito de pessoal em Staffoli. Ele pesquisa a história da participação brasileira na libertação da Itália e fala dessa historia e do seu trabalho com muito carinho e  orgulho.



53 - Meu pai e um colega, 1945 e eu assinando livro de visitas, 2011 - Staffoli


Caminhante
Eu chego aqui, piso no chão, e confirmo.. esse é o mesmo chão! Esse é o lugar onde
meu pai dormia, comia e partia daqui para locomover suprimentos e armas.
Nossa...
De alguma forma eu me sinto um pouco em casa. Ando ao redor, olho, fotografo, sinto os cheiros, olho as árvores, o céu.
Estar aqui foi necessário para meu pai, e agora é para mim!



54 - Eu piso firme no chão do acampamento da FEB

Fotografo a grande árvore que estava aqui no período da guerra, um carvalho, hoje enorme, e lembro de meu pai me mostrando, em Fazenda Nova, ao lado da casa em que ele nasceu, a árvore que o pai dele plantou em 1942.
Essas duas árvores começam a fazer, para mim, um paralelo bastante interessante. Elas duas veteranas que estão lá, cada uma no seu lugar.

Hoje, depôs de 66 anos do primeiro dia de meu pai aqui em Staffoli, eu vejo esse lugar pela primeira vez em minha vida.


55 - "Átvores veteranas" : 1-Fazenda Nova; 2- Staffoli


2º. Movimento
Bunker tedesco (parte da Linha Gótica)


56 - Mapa da Linha Gótica - Itália
  

Alegro
O sr. Píer Giorgio Pierone, presidente do Comitê de Recuperação da Linha Gótica no Vale do rio Sercchio, em Borgo a Mozzano, trabalha na manutenção dessa parte da história.

Cantante
Até hoje aqui na Itália os alemães são chamados de “tedescos“ e mesmo as pessoas que tinham cinco ou seis anos de idade na época da guerra falam deles com certo ressentimento.

A Linha Gótica, como ficou conhecida durante a II Guerra, é uma fortificação alemã na Itália. A linha com muralhas e túneis foi traçada estrategicamente seguindo parte das montanhas da Cordilheira Apenina.




57 - Bunker alemão
  
O bunker que visitei tem entradas ao lado da via férrea. Isso mantinha os alemães no domínio do transporte ferroviário desta area.
Da primeira porta até uma segunda porta à prova de armas químicas o túneo forma um “Z”, para dificultar a entrada e saída de ruídos.
O bunker é bem construído. Sua concretagem está intacta até hoje.


Caminhante
Sempre tive vontade de entender o que é a Linha Gótica.
Chegando aqui eu começo a compreender a construção, a longo prazo, do projeto de dominação e resistência alemã na Itália.

O bunker foi perfurado na montanha de pedra sólida. Onde não é montanha, foi construída uma muralha à prova de tanque de guerra... a formação da muralha não permite passagem de nenhum veículo militar.

Andando aqui dentro eu sinto uma energia muito opressiva porque a história é muito forte.




58 - Paredes da fortificação alemã na LInha Gótica
 

3º. Movimento
Uma volta por alguns lugares.

Alegro
Mario Pereira me levou para um “giro” em alguns lugares importantes.

Cantante
Os soldados brasileiros, após o final da guerra e durante o período de reconstrução da Itália, viajaram por algumas cidades italianas.
Meu pai, por exemplo, ficou aqui até setembro de 1945, e conheceu algumas localidades.

Caminhante
Passamos por Lucca.



59 - Meu pai e outros pracinhas, 1845 e eu, 2011 na Catedral de  Pizza

Agora em Pizza, é difícil sentir o lugar porque tem uma quantidade enorme de turistas por todos os lados. Mas é possível ver o funcionamento da tradicional igreja católica... o batistério, construído porque sem o batismo a pessoa não podia entrar na igreja, e a torre que é o campanário, cada um em um dos lados da catedral de Pizza.
Meu pai tem o maior orgulho de ter vindo a Pizza. Ele foi fotografado na parte superior da torre. Atualmente não se pode subir la.

terça-feira, 29 de março de 2011

Nono Dia - 09 27.02.2011

Reconhecendo territórios


42 - Paisagem de inverno

1º. Movimento
Casa do moinho, em Randaragna.

Alegro
As vilas da Itália são rrepletas de casas de dois andares.

Muitas delas, nas comunidades menores, estão lá desde muito tempo antes da guerra. Algumas casas destruídas durante o conflito foram reconstruídas. Nessa casa, que chamo de “casa do moinho”, residem o homem e sua esposa.

Eu a batizei como “casa do moinho” porque na casa de meu pai, no Recife, Brasil, temos um moinho de pedra do mesmo modelo que agora encontro nesta casa, aqui na Itália. A diferença entre eles é somente que o de meu pai é bem menor e manual. Este é datado do ano de 1600 e movido por uma pequena queda d’água.


43 - Moinho de pedra

Cantante
Como a casa do moinho chega até a história do Brasil? Durante a guerra, um dos maiores problemas dos soldados brasileiros era enfrentar o frio do inverno e da primavera europeus. Em geral, os nossos soldados sentiam muito frio nos pés. O aquecimento dos pés, um ponto crucial para o aquecimento do resto do corpo foi uma das nossas maiores dificuldades.

Meu pai conta: “Para diminuir o frio nos pés, usávamos uma galocha americana por cima de nossas botinas. Um pé que calçava uma bota número 40, ficava, com a galocha, número 44”.

Muitos veteranos contam os problemas que tiveram para aquecer os pés.

Nesta casa, durante a guerra, o pracinha Miguel Pereira costumava pedir pra entrar e esquentar os pés na boca do forno que era usado para fazer o pão todos os dias. Observando as pessoas da “casa do moinho” eu percebo que na época do inverno e até as temperaturas se elevarem um pouco, na primavera, para quem vive nas partes mais frias do planeta, e trabalha com a terra, é tempo de descanso, reflexão e fortalecimento para reencontrar o trabalho árduo quando o plantio, os cuidados com a plantação e a colheita chegarem.

Durante a guerra, nesse período do ano nossos soldados estavam, em 1944-45, lutando para libertar o mundo do poderio nazi-fascista.

Caminhante
Somos bem recebidos ao visitar a “casa do moinho”.. A casa está à beira do rio que dá nome ao lugar.


2º. Movimento Visita ao Monte Castelo


44 - Descanso na subida do Monte Castelo
(Etampa do sabonete Eucalol)

Alegro
No Monte Castelo foi erguido o “Monumento Líberazione” em homenagem aos soldados brasielrios mortos e também um marco ao soldado desconhecido. Foi com grande orgulho que o povo italiano construiu vários monumentos sobre a participação brasileira na libertação da Itália.

Cantante
Foram necessárias três batalhas sangrentas para a conquista do monte castelo. Nessa série de ataques pereceram 88 soldados brasileiros. O monte coberto de neve, o frio, e os alemães entrincheirados no topo do monte lavou de sangue verde e amarelo a conquista do Monte Castelo Somente no dia 21 de fevereiro o Monte é finalmente conquistado.

Caminhante
Chego ao monumento do Monte Castelo em um dia em que está tudo coberto de neve. A brancura, a singeleza do monumento e a amplidão das montanhas ao fundo, tudo branco, dá uma sensação de paz enorme. Sinto como “isto está posto, é nosso!”. É muito árduo dizer isso depois de tantos jovens brasileiros perecerem neste lugar. É um sentimento de paz, somente isso... talvez, também, a paz dos mortos. Fico com vontade de gritar o nome de todos que ali pereceram.

Pretendo voltar aqui na primavera.

Um veterano declarou que os campos cobertos de neve pareciam campos de algodão.

É verdade.


45 - Monumento Libertazione - Monte Castelo

3º. Movimento 
Passagem por Abetaia

Alegro
Os caminhos da FEB são bem conhecidos por Mário Pereira que viveu sempre nesta área. (sobre esta família eu falarei outro.

Cantante
Em Abetaia encontramos um portão de ferro que está no mesmo local desde a II Guerra... Os tiroteios por ali deixaram várias marcas de balas no portão, tornando-o um registro vivo da história.

Caminhante
É, pára mim, surpreendente ver a história ali, viva. Acho que a importância da paz, com a libertação da Itália do domínio nazi-fascista, é enorme para o povo italiano, que conserva muitos marcos dessa história. dia).


46 - Furos de balas da II Guerra Mundial

O portão de ferro, repleto de furos, me dá arrepios.

Depois olho bem pelos buracos e começo a fotografar.

É sempre uma surpresa observar minhas emoções nesses momentos de enfrentamento com essa realidade que pode parecer distante mas está na minha pele e na de tantas outras pessoas.

4º. Movimento
Porretta Terme

Alegro
Um dos meus objetivos é visitar o casarão onde funcionou o Qualtel General de Mascarenhas de Moraes em Porretta Terme.

Cantante
O casarão onde funcionou o Quartel-General de Mascarenhas de Moraes em Porretta Terme, de 09 de novembro de 1944 até 16 de março de 1945. Dali ele determinava os movimentos das tropas brasileiras na Itália. O casarão já foi usado para um hotel. Hoje está fechado.

Caminhante
Eu pensei que o casarão ainda era um hotel e havia desejado me hospedar lá por alguns dias. Fiquei triste porque o hotel havia fechado Vou tentar entrar no casarão e escrever algo de lá de dentro... quem sabe mandar uma mensagem ao mundo. Acho que o casarão é uma das maiores casas da cidade.



47 - O predio do Quartel General de Mascarenhas de Moraes

5º. Movimento
Passagem por Montese

Alegro
Um dos veteranos de Montese é um chafariz que, apesar de alguns furos de bala, permanece lá, no mesmo lugar, até hoje, imponente, firme e forte... talvez seja, hoje, um dos veteranos mais imponentes, ali, jorrando água, cumprindo sua função de sempre.


48 - O chafariz veterano

Cantante
Montese foi conquistada pela FEB em 14 de abril de 1945. Em Montese está o largo Brasil, onde a população da cidade construiu um monumento oferecido aos brasileiros.


49 - Eu no Monumento aos soldados brasileiros, em Montese

6º. Movimento
Museu em Iola.

Alegro
Visitamos o Museu de Iola, administrado pela comunidade local. Na parte superior são conservados objetos da Ii Guerra.

Cantante
Neste museu estão roupas e objetos usados pelos nossos pracinhas. São guardados, além de algumas armas, vários maços de cigarros, o objeto de desejo de todos naquela época.

Caminhante
Vi a famosa Lurdinha. Perguntando a meu pai que Lurdinha era essa ele somente me deu uma risadinha insossa.

Eu descobri, e até mesmo a fotografei.


50 - A Lurdinha

Sobre a Lurdinha: Era a metralhadora alemã MG 34 a mais temida arma de guerra alemã. Os disparos dessa metralhadora eram comparados com uma gargalhada de uma mulher... e por isso, ela foi batizada pelos brasileiros de Lurdinha.

Neste museu encontro o livro de fotografias coloridas "Sulle orme dei nostri padri", do fotógrafo-soldado americano Cruz E. Rios e as câmeras por ele usadas durante a guerra.

Nossa!

Uma jóia preciosa!


51 - A câmera do soldado-fotógrafo
7º. Movimento
Visita ao Monumento de Pistóia.

Caminhante
Sobre este monumento eu escreverei em um outro dia.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Oitavo Dia - 26.02.2011

Do meio do mar a Pistóia

1º. Movimento
No mediterrâneo

Alegro
O navio está mais vazio do que o de minha viagem anterior. A tripulação também é meio sumida. São muitos caminhões e caminhoneiros nesse percurso.


Cantante
Durante a guerra o trajeto de Nápoles a Livorno era feito em embarcações menores, e não mais nos mesmos navios americanos que trouxeram os brasileiros do Rio de Janeiro.

Meu pai conta: ”Nesse percurso, de Nápoles a Livorno, o mar estava muito revolto. Vários pracinhas enjuaram muito. Daí colocaram um tonel para que vomitassem dentro... então, mesmo quem não estava enjoado vomitava somente por causa do cheiro de vômito”.


36 - Eu no navio para Livorno

Caminhante
Passo o dia entre olhar as águas do mar Mediterrâneo e fazer alguns trabalhos no computador. Lá fora está fazendo muito frio e somente consigo ficar no deck do navio por alguns minutos e tenho que entrar de novo... sendo assim carrego minha mochila o dia ineiro... vou e volto de dentro para fora do navio.. entre filmar, fazer umas fotos, ou somente olhar para o mar. É muito assustador ver tanta água ao nosso redor


37 - Primeira visão do porto de Livorno

2º. Movimento
Chegada a Livorno

38 e 39 - O céu e a água do mar Mediterrâneo em Livorno

Alegro
O porto é enorme e movimentado. Conteiners com mercadorias estão por toda parte. A chegada do navio é comemorada por muitas gaivotas que fazem a maior festa. Meu pai somente desembarcou neste porto. Ele diz: “ao desembarcarmos em Livorno fomos diretamente, de caminhão, para Stafoli”.

Cantante
Neste porto chegaram os cinco escalões da FEB, entre 1944 e 1945, depois de longos dias e noites de viagem, em tempos de guerra, do Brasil até a Itália.

Caminhante

40 - Por do sol no porto de Livorno

Fico muito emocionada vendo as gaivotas em volta do navio no porto de Livorno... é, realmente, o sinal de que a terra, o solo firme, estão próximos.

Passei uma noite e um dia viajando de Palermo até aqui.

Fico vivenciando a chegada de meu pai, depois daquela viagem tão desconfortável e insegura... ao contrário da minha, onde há ar-condicionado, aquecimento, cama confortável e cobertas quentinhas... e, lá fora, reina a paz. Sinto-me muito feliz de estar aqui neste momento.



41-Terra fime

3º. Movimento
Viagem de Livorno a Pistoia.

Alegro
Mario Pereira chegou sorridente e de braços abertos para me apanhar no porto de Livorno.

Cantante
Stafolli foi a primeira noite em terra firme para os pracinhas que chegaram à Itália durante a guerra no 5º. Escalão, no dia 28 de fevereiro de 1945.

Caminhante
Fico muito feliz ao ver Mario Pereira. Ele me leva para o hotel “Arco Baleno” (Arco-iris), que fica na montanha, em Sammomme, na área de Pistóia.. O caminho até lá em cima é muito estreito e cheio de curvas... as árvores estão todas nuas, esperando os primeiros sinais da primavera para começar a época da folhagem.

Sétimo Dia - 25.02.2011

Palermo

1º. Movimento
Nápoles-Palermo.

Caminhante
A minha primeira viagem de navio está muito boa. Eu estou sozinha numa cabine. A cama balançou a noite inteira, mas eu dormi bastante, e estou bem disposta. Com tantos caminhões carregados que vi entrar neste navio e com tanto mar abaixo de minha cama, busquei não pensar nesses assuntos.

2º. Movimento
Hotel para uma meia diária.

Alegro
O hotel que encontro é bem em frente do porto de Palermo, o que vai facilitar minha chegada ao navio que me levará a Livorno. Sairei daqui hoje à noite.

Cantante
Palermo é uma cidade grande, com cerca de 800 mil habitantes, repleta de construções muito antigas, castelos medievais, praças belíssimas. Guarda muitas histórias de reis e rainhas decapitados, e de eventos relacionados com a Santa Inquisição.Tem uma grande movimentação turística, por ser a maior cidade da Sicília. Esta é uma das cidades italianas que foram muito bombardeadas durante a II Guerra Mundial.

Caminhante
É muito bom estar no hotel, pois tomei banho, descansei um pouco, deixei a bagagem e agora ando de ônibus turístico pois está muito frio e chovendo. Ao final do dia, volto para o hotel e me preparo para a nova viagem de navio.

3º. Movimento
Embarque de Palermo a Livorno

36 - Meu percurso
Alegro
Os navios são sempre enormes e um número muito alto de caminhões e caminhoneiros embarcam neste percurso.

Caminhante
Agora com uma romena e uma italiana na cabine a viagem é bem menos confortável, pois fico preocupada com a segurança na viagem (coisa de brasileiro). As duas meninas não falam inglês e nos comunicamos o mínimo possível. Pela manhã vou colocar a mochila nas costas, com computador, câmera de vídeo e de fotografia, e passar o dia fotografando a viagem, pois somente chegarei a Livorno amanhã à noite.







Obs.: Meu objetivo é fazer o percuro de Nápoles a Livorno por mar, como a FEB fez em 1944 e 1945